No sábado, 24 de maio, quando o Jornal Nacional da TV Globo divulgou a morte do Roberto Freire, de imediato o telefone tocou e eu também liguei para alguns dos integrantes do TUCA que com certa frequência nos encontramos...
Para mim ainda estava bem presente a leitura que havia feito durante a semana na Revista "Caros Amigos", nº que homenageava Sérgio de Souza e em especial me havia tocado o texto do Frei Betto que falava dos encontros na Germaine Buchard - casa onde viveu Roberto, Gessy e os filhos (Pedro, Paulo e Roberto) - e que ali vivemos momentos de grande intensidade política, cultural e afetiva.
Na Germaine Buchard foram construídos diversos projetos: Brasil Urgente, TUCA com os estudantes da PUC, a montagem de Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto, as primeiras quedas de AP, os primeiros exílios, a viagem para o Festival Mundial de Teatro Universitário, em Nancy - França, o 1º prêmio, o sucesso na imprensa, a chegada de Roberto Freire à Paris para a abertura do Festival das Nações onde o TUCA voltou a apresentar-se e em seguida a viagem para Portugal onde tivemos apresentações em Lisboa, Coimbra e Porto.
Na volta já com mudanças políticas, primeiras prisões e ainda Roberto Freire preparando o novo espetáculo O&A. Montagem que revolucionou o teatro pois utilizava diferentes mecanismos de comunicação sem fazer o uso de palavras, somente com gestos, imagens, sons e um cenário ousado para a época. Além de um documentário cinematográfico de cenas da violência no mundo contra a juventude.
Ainda na casa de Roberto pós O&A as discussões para a criação de um programa para a juventude na recém criada TV Cultura.
A situação política vai ficando mais agressiva as pessoas vão assumindo novos espaços, prisões, exílios, retorno ao país, novos momentos e as perspectivas já se encontram em outros campos.
Ainda me encontrei com Roberto no Bondinho onde participavam vários ex-presos políticos, depois reencontrei-o próximo a PUC num jeep aberto, acompanhado de muitos jovens que se dirigiam para um evento anarquista.
Mais tarde alguns reencontros no lançamento do livro "Eu... é um Outro" na Fnac, na reabertura do DEOPS com a peça "Lembrar é Resistir" lá estava ele novamente.
Mais recentemente revi seus filhos músicos que estavam se apresentando no Restaurante Buttina, e as recordações reapareceram...
Com as mortes recentes de Paulo Patarra e Sérgio de Sousa, em algumas rodas amigas reaparecia o nome do Roberto Freire mas foi um grande golpe a notícia chegada através do Jornal Nacional.
Elza Lobo
P.S.: acredito que venha a celebrar-se algum encontro, talvez nos dominicanos, quem souber primeiro avisa o outro... |